Menopausa · Florianópolis

Menopausa, colesterol e coração: preciso de estatina?

Resposta direta

O colesterol, principalmente o LDL, costuma subir depois da menopausa. A decisão de usar estatina não depende de um número isolado: depende do seu risco cardiovascular global, calculado com idade, pressão, glicemia, tabagismo, histórico familiar e exames.

Como cardiologista, avalio o coração e o metabolismo na mesma consulta, porque a menopausa é uma fase em que o risco cardiovascular merece atenção especial.

O que acontece com o colesterol na menopausa?

Com a queda do estrogênio, o LDL ("colesterol ruim") tende a subir, e a gordura se acumula mais na região abdominal. Também podem aumentar a pressão, a glicemia e os triglicerídeos. Essa soma eleva o risco cardiovascular, e é uma das razões de a doença do coração ficar mais comum depois da menopausa.

O que define se preciso de estatina?

A diretriz brasileira de dislipidemias usa o risco cardiovascular global, e não o colesterol total isolado. Entram na conta idade, pressão arterial, diabetes, tabagismo, histórico de infarto ou AVC na família, doença renal e o valor do LDL, além de exames complementares quando indicados. Quanto maior o risco, menor a meta de LDL.

Posso tentar mudar o estilo de vida antes?

Em risco baixo ou intermediário, a mudança de estilo de vida é a primeira etapa e pode reduzir o LDL e os triglicerídeos de forma importante:

  • alimentação com mais fibras, vegetais e menos ultraprocessados e gordura saturada;
  • treino de força e atividade aeróbica regular;
  • sono adequado e controle do estresse;
  • redução do excesso de gordura abdominal.

Em risco alto, ou quando o LDL está muito elevado, a estatina não deve ser adiada por receio, e é discutida com você caso a caso.

A reposição hormonal trata o colesterol?

A terapia hormonal pode melhorar um pouco o perfil de gorduras no sangue, mas não é prescrita para tratar colesterol. Ela é uma decisão sobre sintomas e saúde geral; o risco cardiovascular continua sendo acompanhado e tratado à parte.

Coração na menopausa: o que acompanhar

Pressão arterial, colesterol (LDL e, quando indicado, ApoB), glicemia e insulina, circunferência abdominal, composição corporal, sono e histórico familiar. É o conjunto, e não um exame só, que mostra o seu risco.

Procure atendimento sem demora se tiver sangramento vaginal depois de 12 meses sem menstruar, dor no peito, falta de ar, dor ou inchaço em uma perna, ou perda súbita de força ou da fala.

Fontes

  • Consenso Brasileiro de Terapia Hormonal da Menopausa, SOBRAC/FEBRASGO, 2024.
  • The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022;29(7):767-794.
  • Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Indicação, dose e via de tratamento dependem da avaliação individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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