O que acontece no corpo na transição da menopausa?
Perto dos 50 anos, os ovários reduzem a produção de estrogênio, enquanto a diminuição da produção de progesterona pode começar já a partir dos 35 anos. Essa queda não acontece de uma vez: costuma começar na fase chamada perimenopausa, que se inicia ao redor dos 40 anos, com ciclos irregulares, e por fim chega a menopausa.
O estrogênio atua no cérebro, nos ossos, nos vasos, na pele e no trato urinário e genital. Por isso a mudança aparece em vários lugares ao mesmo tempo: o sono, o humor, a temperatura do corpo, a distribuição de gordura, a massa muscular e o risco cardiovascular.
Aqui está um ponto que muita gente não explica: a menopausa não é só hormônio. Ela chega em uma fase da vida em que sono, estresse, intestino e metabolismo também estão sob pressão, e é a soma de tudo isso que define como você se sente.

Quais sintomas da menopausa valem investigação?
Nem toda mulher tem sintomas intensos, mas uma parte importante tem. Os mais comuns:
- Calorões e suor noturno, que interrompem o sono e a rotina de trabalho.
- Sono ruim: dificuldade para pegar no sono ou acordar de madrugada sem conseguir voltar a dormir.
- Irritabilidade, ansiedade e humor instável, com menos paciência do que você tinha antes.
- Cansaço, falta de foco e memória ruim, a sensação de que a cabeça não acompanha mais.
- Ganho de gordura abdominal e perda de massa muscular, mesmo sem mudar a alimentação.
- Secura vaginal, dor na relação, queda de libido e infecções urinárias de repetição.
- Dores nas articulações e pele e cabelo mais frágeis.
Esses sintomas também podem ter outras causas, como doença da tireoide, anemia, deficiência de ferro ou de vitamina B12, depressão e apneia do sono. Por isso a avaliação não termina em "é a menopausa": ela procura o que mais pode estar contribuindo.
Procure atendimento sem demora se tiver sangramento vaginal depois de 12 meses sem menstruar, dor no peito, falta de ar, dor ou inchaço em uma perna, ou perda súbita de força ou da fala. Esses sinais não são "da menopausa".
Para quem a reposição hormonal é indicada?
As diretrizes brasileiras e internacionais (SOBRAC/FEBRASGO, de 2024, e a posição da NAMS, de 2022) concordam em alguns pontos centrais:
- A terapia hormonal é indicada para mulheres com sintomas que atrapalham a qualidade de vida, principalmente calorões e suor noturno.
- Existe uma janela de oportunidade: o melhor equilíbrio entre benefício e risco aparece quando ela é iniciada antes dos 60 anos ou até 10 anos depois da menopausa.
- Não existe limite de idade para fazer terapia hormonal: a indicação é individual e reavaliada ao longo do tempo.
- Em mulheres que perdem a função dos ovários cedo (antes dos 40 anos), a reposição costuma ser recomendada até a idade habitual da menopausa, salvo contraindicação.
- Os sintomas urinários e genitais, como a secura vaginal, podem ser tratados com estrogênio aplicado direto na região, em dose baixa, que age quase só no local.
- A terapia hormonal também protege os ossos, e pode entrar em casos selecionados com risco de osteoporose.
- Em mulheres que começam cedo na menopausa, com indicação adequada, a terapia hormonal está associada a menor incidência de doença das artérias coronárias (metanálise de ensaios clínicos, Cochrane 2015). Para a demência, estudos observacionais sugerem possível benefício quando o uso começa cedo, mas os ensaios clínicos ainda não confirmaram.
Quem não deve fazer reposição hormonal?
Em geral, a terapia hormonal sistêmica não é indicada quando há:
- câncer de mama atual ou já tratado, e alguns outros tumores sensíveis a hormônio;
- sangramento vaginal sem causa esclarecida;
- trombose (nas pernas ou nos pulmões), AVC ou infarto atuais ou prévios, conforme o caso;
- doença do fígado ativa.
Fumo, pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade e histórico familiar de câncer de mama ou de trombose não proíbem a reposição por si só, mas mudam a escolha do tipo, da dose e da via. É por isso que a avaliação inclui exames e uma conversa sobre o seu histórico familiar antes de qualquer receita. Por ser cardiologista e nutrólogo, eu olho o risco cardiovascular e o metabólico na mesma consulta.
Gel, adesivo ou implante: a via importa?
Importa. O estrogênio pode ser administrado pela pele (gel e adesivo) e por via subcutânea através de implante. Uma meta-análise de 2018 (Scarabin) e outros estudos mostram que o estrogênio pela pele tem menor risco de trombose do que o oral, o que pesa na escolha em mulheres com fatores de risco.
Quem ainda tem o útero precisa associar progesterona ou progestágeno ao estrogênio, para proteger o endométrio. A via de administração é uma decisão médica, tomada caso a caso, conforme o seu histórico, os seus exames e a sua preferência.
A terapia hormonal é reavaliada com regularidade (em geral a cada 3 meses) e a decisão de manter, ajustar ou parar a reposição hormonal é combinada com você a cada revisão.
Como é a avaliação e o acompanhamento no SANAR 360?
A primeira consulta dura 90 minutos, presencial na SANAR Clinic, em Florianópolis, ou online. Nela eu faço:
- a história completa: sintomas, ciclos, histórico pessoal e familiar, medicamentos e hábitos;
- a análise dos seus exames e a definição dos que faltam (por exemplo, mamografia, perfil de gordura no sangue, glicemia, tireoide e, quando indicado, densitometria óssea);
- a avaliação do risco cardiovascular e metabólico;
- a decisão, junto com você, sobre usar ou não a terapia hormonal e de que forma.
O que muda no método SANAR 360 é o acompanhamento de perto. Hormônio é só uma parte: no mesmo plano entram sono, intestino, peso, estresse e o que mais estiver sustentando os sintomas. O plano é ajustado sempre que algo sai do previsto, com contato próximo comigo entre uma consulta e outra.
O que mais influencia o resultado além do hormônio?
- Sono. Dormir mal piora calorão, humor, fome e foco. Tratar o sono faz parte do tratamento da menopausa.
- Treino de força. É a ferramenta mais eficaz para frear a perda de massa muscular e proteger os ossos.
- Alimentação. Proteína suficiente e menos ultraprocessados ajudam o metabolismo e a composição corporal.
- Estresse e emoções. Estresse crônico agrava os calorões e o sono. Regular o sistema nervoso entra no plano.
- Intestino. Ele conversa com humor, inflamação e metabolismo, e entra na avaliação quando há sintomas que apontam para isso.
Por isso eu falo em "mudança de comportamento no centro do cuidado": o hormônio ajuda a atravessar a transição, mas é o que você faz no dia a dia que sustenta o resultado.
Dúvidas das pacientes, respondidas em artigos
Cada pergunta abaixo tem um artigo curto no blog, com resposta direta:
- Perimenopausa ou menopausa: como saber em qual fase estou?
- Nunca fiz reposição e estou há anos na menopausa: posso começar agora?
- Comecei a reposição e continuo irritada e desanimada. O que falta?
- A dose do gel está certa? Como sei se preciso ajustar?
- Dor e inchaço nas mamas na perimenopausa ou com a reposição: é normal?
- Progesterona na menopausa: por que usar junto com o estrogênio e por que a dose importa?
- Menopausa, colesterol e coração: preciso de estatina?
- Engordei na menopausa e a barriga não sai. O que muda no treino e na comida?
- Menopausa e tireoide: os sintomas se confundem?
- Menopausa e vida sexual: secura, dor e queda de libido têm tratamento?
- Reposição hormonal serve só para calorão e libido? Quais são os outros benefícios?
- Qual o risco de câncer de mama com a reposição hormonal?
Perguntas frequentes sobre menopausa e reposição hormonal
O que dizem as pacientes
"Depois de 3 anos de várias tentativas de reposição hormonal frustradas, menopausa com todos os piores sintomas inviabilizando rotinas de trabalho e de sono. Ele percebeu como meu corpo funcionava e soube equacionar uma prescrição precisa e efetiva. Saúde física e psíquica de volta!"
"Há algum tempo, numa consulta médica, ouvi que, na minha idade, sentir dores é normal. Não aceitei essa condenação e fui procurar profissionais top de linha. Um deles foi o Dr. Marcelo Amorim, que me mostrou que é possível sim, ter qualidade de vida em qualquer idade."
"Sou de SP e fiz uma consulta online com o Dr. Marcelo. Me explicou tudo com muitos detalhes, sem pressa para terminar (duração 2h). Optei por seguir somente com ele ao invés de ter várias especialidades médicas."
Depoimentos de pacientes, publicados com autorização. Os resultados variam de pessoa para pessoa.
Fontes
- Consenso Brasileiro de Terapia Hormonal da Menopausa, SOBRAC/FEBRASGO, 2024.
- The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022;29(7):767-794.
- Scarabin PY. Progestogens and venous thromboembolism in menopausal women: an updated oral versus transdermal estrogen meta-analysis. Climacteric, 2018;21(4):341-345.
- El Khoudary SR et al. Menopause transition and cardiovascular disease risk: implications for timing of early prevention. A scientific statement from the American Heart Association. Circulation, 2020;142(25):e506-e532.
- Boardman HMP et al. Hormone therapy for preventing cardiovascular disease in post-menopausal women. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015;(3):CD002229.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Indicação, dose e via de tratamento dependem da avaliação individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.