Menopausa · Florianópolis

Qual o risco de câncer de mama com a reposição hormonal?

Resposta direta

O risco depende do tipo de terapia hormonal e do tempo de uso. Nos grandes estudos, o estrogênio isolado (usado por quem não tem útero) não mostrou aumento do risco, e a combinação de estrogênio com progestágeno mostrou um aumento pequeno com o uso prolongado.

Por isso a decisão é individual, com avaliação do histórico pessoal e familiar, mamografia em dia e reavaliação regular. Quem já teve câncer de mama, em geral, não deve usar terapia hormonal.

O que os grandes estudos mostraram?

  • Estrogênio isolado (mulheres sem útero): não aumentou o risco de câncer de mama, e em alguns seguimentos o risco foi até menor.
  • Estrogênio com progestágeno (mulheres com útero): aumento pequeno do risco, que aparece depois de alguns anos de uso e cresce com a duração.
  • Depois de parar: o risco adicional diminui com o tempo.

Que tamanho tem esse risco?

Em termos absolutos, o aumento associado à combinação é pequeno, semelhante ou menor que o associado a fatores como obesidade, sedentarismo e consumo regular de álcool. Isso não quer dizer que seja irrelevante, e é por isso que o histórico familiar, a idade e a duração entram na decisão.

O tipo de progestágeno faz diferença?

Alguns estudos observacionais sugerem que a progesterona micronizada e certos progestágenos podem ter menor risco do que outros tipos sintéticos. A evidência ainda não é definitiva, e a escolha é individual.

Como reduzir o risco e acompanhar

  • fazer mamografia na periodicidade orientada pelo ginecologista e pelo médico que acompanha;
  • manter a reavaliação regular do tratamento com o médico que acompanha;
  • manter peso e massa muscular saudáveis e tratar o excesso de peso;
  • manter atividade física regular e alimentação saudável, e moderar o álcool;
  • cessar o cigarro;
  • ter um sono reparador e de qualidade;
  • contar todo o histórico familiar de câncer de mama e de ovário.

Quando a terapia hormonal não é indicada

Câncer de mama atual ou já tratado, em geral, contraindica a terapia hormonal sistêmica. Para sintomas locais, existem opções específicas, que o médico avalia caso a caso.

Decisão compartilhada

A pergunta não é "tem risco ou não tem", e sim "para mim, o benefício dos sintomas e da saúde geral compensa esse risco pequeno, com o acompanhamento certo?". Essa é a conversa da consulta.

Procure atendimento sem demora se tiver sangramento vaginal depois de 12 meses sem menstruar, dor no peito, falta de ar, dor ou inchaço em uma perna, ou perda súbita de força ou da fala.

Fontes

  • Consenso Brasileiro de Terapia Hormonal da Menopausa, SOBRAC/FEBRASGO, 2024.
  • The 2022 Hormone Therapy Position Statement of The North American Menopause Society. Menopause, 2022;29(7):767-794.
  • Rossouw JE et al. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results from the Women's Health Initiative randomized controlled trial. JAMA, 2002;288(3):321-333.
  • Anderson GL et al. Effects of conjugated equine estrogen in postmenopausal women with hysterectomy: the Women's Health Initiative randomized controlled trial. JAMA, 2004;291(14):1701-1712.
  • Fournier A et al. Unequal risks for breast cancer associated with different hormone replacement therapies: results from the E3N cohort study. Breast Cancer Research and Treatment, 2008;107(1):103-111.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Indicação, dose e via de tratamento dependem da avaliação individual. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

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